Coluna Diamante

Extensão do Jornal Delfos-CE: http://jornaldelfos.blogspot.com.br/
O nome Diamante é por conta do primeiro livro impresso no mundo, o Diamante-Sutra, sem o qual não existiria a impressão como a conhecemos hoje em dia.

segunda-feira, 20 de março de 2017

DESCULPA

DESCULPA
Por: Teta Barbosa

Pai e mãe, venho hoje pedir desculpas. Não pela minha adolescência pseudo-rebelde, nem por ter sido mãe solteira. Não peço perdão pelas tatuagens nem pelos palavrões, tão próprios da minha geração e da minha personalidade. Nem venho, arrependida, falar sobre maconha nem me justificar quanto a faculdade particular.

Venho hoje, não pelas minhas falhas pessoais de filha mais velha e primeira neta mimada, muito pelo contrario, venho em nome de uma geração inteira pedir perdão.


Nos anos 1980 estávamos tão ocupados com shows do Menudo e com o cubo mágico e não vimos quando vocês choraram a morte de Tancredo Neves. Talvez eles gostem muito do cara, devo ter pensado entre um diplick e uma fita cassete do Pink Floyd. Não tive tempo de perguntar o que significavam aquelas lágrimas. Entretidos com River Raid no Atari, não paramos para entender, como deveríamos, o “Diretas Já” nem porque estavam todos de verde e amarelo se nem era Copa do Mundo. Não prestamos a devida atenção quando vocês contaram as histórias de amigos desaparecidos durante a ditadura, estávamos ocupados demais usufruindo da nossa liberdade.

Portanto, pai e mãe, a Democracia nos foi entregue de bandeja, como uma fatia suculenta de bolo de rolo. A gente sabia que era bom para o país, mas não tinha ideia, entretidos com nossa infância, de como ela tinha sido feita. Ninguém parou de bater papo no Mirc para se perguntar como aquelas fatias de doce de goiaba haviam sido colocadas tão delicadamente entre as finas camadas de pão de ló. Se tivéssemos dado uma pausa no vídeo cassete, perceberíamos, entre as cenas de ação de De Volta para o Futuro, que permeando o pedaço daquele bolo haviam camadas e mais camadas de luta e sangue do povo brasileiro.


E assim, seguimos por 1990 e 2000 como se a liberdade fosse um presente que a gente ganha quando não é natal nem aniversário. Como se o respeito ao voto fosse parte da evolução da espécie de que Darwin tanto falou. Parecia tão fácil que a gente não aprendeu a cuidar da Democracia, pai. A deixamos largada, ignoramos sua importância, superestimamos sua força. Deixamos ela vagar, solitária, por becos escuros e úmidos. Não sabíamos, mãe, como ela era frágil e delicada. Achávamos que, assim como nós, a Democracia iria durar para sempre. Que, assim como as aventuras da Sessão da Tarde, ela teria um final feliz.


Agora, entalados, não pela bala soft da nossa infância, mas pelo assombroso fim anunciado de todos os direitos pelos quais vocês lutaram, nós pedimos perdão. Não soubemos cuidar da nossa herança. Não tínhamos como saber.


Perdão se o voto de vocês, expressão máxima deste regime político onde o povo exerce a soberania, vai perder a validade sem nenhum motivo plausível ou justo. Sei que foram votar carregando a bandeira de uma ideologia de igualdade entre as classes mas, pai e mãe, aprendi hoje o que vocês já sabiam desde os tempos do Golpe de 64: o poder engole a liberdade, a ganância engole o respeito, a mentira engole a imprensa e, o pior de tudo, o dinheiro engole o amor.


Pai, você aos 73 anos de idade, me disse hoje: “sou pessimista, está tudo perdido. Perdemos tudo pelo que lutamos uma vida inteira.” Te respondo com as palavras de José Saramago: “não somos pessimistas, o mundo é que está péssimo”. Obrigado por nos ensinar de que lado ficar nesta luta desigual entre formigas e lobos. Mas sabe de uma coisa? Ouvi dizer que quando as formigas se juntam, formam um exército capaz de derrubar uma alcateia inteira.

terça-feira, 14 de março de 2017

ENTREVISTA COM PALEWA

http://jornaldelfos.blogspot.com.br/2017/03/entrevista-com-palewa.html
ENTREVISTA COM PALEWA

Ateu Poeta: 1:_ Descreva o caso que está acontecendo com você, do prejuízo financeiro e da questão judicial envolvendo um estrangeiro suspeito no Rio.

Palewa:Bom, eu aluguei um apartamento no Méier em 2015 e, após um ano pagando aluguel e taxas adiantado, tudo certinho, começaram a aparecer ilegalidades envolvendo o fornecimento de água e a própria documentação do imóvel. 

O apartamento também foi apresentando diversos problemas estruturais que o locador espanhol se recusava a resolver, e o que resolvi ele não me reembolsava. E isso tudo mesmo sendo comerciante e tendo uma loja situada na rua do imóvel mencionado, que negocia materiais de construção, tendo tudo disponível para manter o imóvel em condições humanamente habitáveis para seus locatários. 

Certos problemas na parte elétrica: estragou o meu microondas como também pôs a minha integridade física e vida em risco, pois levei um choque ao tomar banho. Deu infiltração, pequenas rachaduras, etc. Chamei a Defesa Civil e tenho um laudo. Quase estragou minha geladeira também, por três vezes, cheguei a jogar comida fora porque as tomadas viviam falhando e ele não resolvia nada. O imóvel não possui a certidão Habite-se, que é um dos principais documentos a atestar a legalidade do mesmo. 

Antes de alugar o imóvel, o espanhol certificou-me de que o mesmo estava registrado noCartório de Registro de Imóveis e me mostrou carnê de IPTU, então nunca poderia imaginar que já havia notificação da Prefeitura desde 2015 autorizando a derrubada do apartamento, que foi publicado até em Diário Oficial. 

Então, para quem acha que a Prefeitura me informou errado é que se engana com a idoneidade dos cartórios envolvidos, ou ao menos foram ludibriados. Afinal, todos merecem a chance de defesa e a presunção de inocência. Mas o fato é que eu encontrei três vezes a engenheira da prefeitura e não acredito que ela se "enganaria" todas as vezes (rs). 

Os únicos que não são inocentes na história são o estrangeiro e a mulher que o vendeu o apartamento. As partes tinham ciência da irregularidade do imóvel e efetuaram a compra e venda de maneira deturpada, pois não é possível outorga de escritura pública de imóvel irregular, exigindo-se o retorno das coisas ao status quo ante. 

O espanhol sempre usufruiu o bem imóvel para fins lucrativos, assim caracterizando também o enriquecimento sem causa. Está clara a ausência de desmembramento dos fundos do imóvel maior ao qual era averbado e de individualização e matrícula registral próprias; logo por culpa da vendedora, por negociação de imóvel não desmembrado perante o Registro de Imóveis, configurada está a irregularidade do negócio firmado com o espanhol, e este nem pode alegar ter sido enganado, pois qualquer diligencia normal prévia que é necessária ser feita antes de fechar um negócio desses, logo descobriria as irregularidades. 

Então, o espanhol vive de lucrar com o imóvel e expondo as pessoas a riscos e constrangimentos, mantendo o bem locado em precárias condições, podendo e devendo ser punido como um negócio irregular, pois sendo a locação um negócio jurídico pelo qual se pretende obter lucro, necessário se faz que aquele que a ela se dedica tenha claro que como qualquer negócio, demanda investimentos para se manter como tal, doutra forma tutelaríamos incontinenti o enriquecimento sem causa de um contratante em face do outro. 

E até onde eu sei, o fato do imóvel locado estar em situação irregular, mesmo tendo a documentação legalizada (feita de maneira ilícita), é fato impeditivo a assinatura do contrato locatício. Eu caí foi numa armadilha, fui mais uma vítima lesionada. 

Recentemente, descobri que a mulher que o vendeu o imóvel morara numa rua do bairro, fui lá conversar com ela e fui atendida pelo seu neto; o rapaz ficou tenso, estava nitidamente nervoso, apesar de eu só ter perguntado pela avó dele. 

Ele disse que ela não estava em casa e me pediu para que eu voltasse no dia seguinte, e assim o fiz; porém fui surpreendida com uma placa de "vende-se" no local e ao sondar vizinhos, me avisaram que ela se mudou de repente sem falar com ninguém. Estranho demais, não acha? Mas sei muito bem o porque!

E agora eu que estou com problemas psicológicos, também financeiros pela situação do RJ de falência, entre outros fatores; e apesar de ter denunciado tudo referente ao imóvel e o gato de água descoberto no local, nada acontece. Nunca sequer foi chamado para dar um depoimento que fosse. 

E o estrangeiro é que está me processando, é justo isso? Acho que não! Parece mais do que evidente que ele acredita na sua impunidade, não se comportando em conformidade com o valor normativo do direito de ação, exercendo-o de forma irresponsável, desvinculando-o dos fatos concretos da vida, pois ignorou as denúncias já feitas por mim envolvendo o imóvel, e só citou os fatos que favoreciam suas pretensões que quer garantir a qualquer custo, escondendo a verdade íntegra dos fatos, agindo de maneira contrária aos deveres processuais de boa-fé e lealdade, que são preceitos básicos dentro da relação processual. 

E isso só causa mais danos psicológicos a mim, me deixa estarrecida tamanha cara de pau. Eu que sou brasileira, honesta, pareço não ter valor nenhum no meu país. Esse sujeito está aqui há anos, todo errado, e nada acontece. É assustador. Hoje mesmo [14/04/2017] , por volta das 17he pouco da tarde, sofri uma tentativa de agressão por parte da mulher dele na rua, pessoas que estavam por perto que a seguraram; já chegaram até ameaçar a matar minhas duas gatinhas com veneno. Estou horrorizada com tamanha maldade. E a mulher dele se diz evangélica, critica o fato de ser ateísta, mas hipocritamente defende todas as ilegalidades e injustiças do marido. 

Cheguei a pagar valores abusivos de água por um período, vindo depois a descobrir que a ligação de água era clandestina. A antiga inquilina dele que me confirmou o gato de água, então o denunciei à CEDAE, que constatou o crime, e foi mais um constrangimento que tive de passar. Está em curso um Inquérito Policial na especializada DDSD da PCERJ. E na delegacia, acompanhada da minha vizinha que acompanhou a vistoria da CEDAE no nosso prédio que constatou o "gato", ouvimos dos policiais civis que o espanhol constava como falecido desde 2009 no sistema da polícia, isso foi no dia 19/02/2016. 

Ainda questionamos se não seria um homônimo, porém os policiais foram taxativos em afirmar que não era! Depois de 8 meses sem nada acontecer, voltei a DDSDquestionando a demora, não senti confiança mais nos policiais e fui atrás sozinha de averiguar que raio de pessoa falecida era aquela que consta até hoje no IP como autor do fato. E aí pude atestar que ele e o espanhol que me deu golpe, vulgo Manolo, não eram a mesma pessoa. 

O morto seria um tio homônimo. Porém, a delegacia não me deixou anexar as provas que o morto e o Manolo não eram a mesma pessoa nos autos, então protocolei a verdade na Corregedoria Geral unificada. Avisei o MPERJ e até tive uma audiência com o promotor que ficou encarregado de cobrar a conclusão da investigação do furto de água e o contei tudo.Manolo furtou água anos e não pode ficar por isso mesmo. 

Uma coisa até comentei com o promotor que me chamou a atenção, o falecido homônimo é muito velho para ser o Manolo, mas estranhamente, é o único imigrante espanhol que encontro prontuário de estrangeiro entrando no Brasil com documentos de entrada no país registrado na Polícia Marítima Federal, pois na época que viera para o Brasil vinham de"vapores"

Reparei que no processo que o Manolo move contra mim, a RNE (Registro Nacional de Estrangeiro) dele está vencida desde 2014 e a foto no documento em nada se parece com ele. E com os dados do documento não encontrei prontuários de estrangeiro atestando a entrada no Brasil. Então, começou outra saga, pois passei a desconfiar que ele está ilegalmente no meu país e possa estar usando documentos falsos. 

Inclusive, pesquisei que é mais comum esse tipo de coisas no Brasil do que supunha. Reuni um dossiê com vários documentos pessoais e certidões, do Manolo e do pai dele, e protocolei uma denúncia na PF. Não ficarei em paz até saber o que realmente está acontecendo, pois não sei mesmo se o Manolo é quem diz ser que é. Só posso dizer que bom caráter ele não tem, é abusado e se vangloria de nunca pagar por nada que faz de mal aos outros. Ele tem mais privilégios aqui que nós brasileiros. Nunca fui xenofóbica, adoro gringos e culturas diferentes; mas no meu país só quero quem soma e não quem só contribui para o nosso Brasil ficar pior. 

Gostaria de indicar links de matérias que falam de estrangeiros ilegais no nosso país e que atestam um histórico duvidoso da DDSD, delegacia especializada que instaurou o IPpara investigar o furto de água e mantém uma pessoa já morta como autor do fato. O Manolo mesmo não está nos autos. Abaixo, os links:




Ateu Poeta: 2:_ Como Ninguém do próprio Ministério público aí se interessou pelo caso? Apartamento com ordem de ser derrubado pode ser alugado? E ele processou você alegando o que mesmo?

Palewa:_Eu procurei o MPERJ e o MPF. O promotor estadual que conversei só ficará responsável por cobrar à Delegacia Especializada da conclusão do IP que investiga o furto de água, porém tive que acionar a Corregedoria por conta de até hoje figurar como autor do fato um falecido homônimo do verdadeiro praticante do ato ilícito. 

Como um defunto cometeria o crime? Como a Polícia Civil até hoje não viu que o morto e o Manolo não são a mesma pessoa?Entreguei a eles o contrato de locação firmado entre mim e o Manolo e lá constava o CPF do mesmo, que não é igual do do morto. Eu estive até na casa do falecido espanhol, conversei com o neto dele e ainda consegui sua certidão de óbito, mas só consegui protocolar tudo na CGU, que a Corregedoria. 

Na delegacia mesmo só pegaram os documentos da minha mãe e jogaram de qualquer jeito dentro do IP, não protocolaram nem me deram nada que garantisse que entreguei aquilo lá. Fiquei muito chateada. E me arrepia só de pensar que o Manolo possa escapar de responder pelo crime, pois furtou água por muitos anos e milhares de brasileiros, com a crise financeira no RJ, estão tendo dificuldades de pagar contas como a de água em dia. E um estrangeiro furtou água por anos, e tudo certo?

Temo que propositalmente deixem prescrever o crime. por isso, avisei ao MP. A própria irregularidade do imóvel que não possui croqui, planta e certidão Habite-se, confirma o furto de água praticado com dolo específico, pois a CEDAEnunca daria um hidrômetro para um imóvel nessas condições e nunca teve caixa d´água também. O que aconteceu é que ele adquiriu a posse do imóvel em 2003segundo a escritura pública do 7º Ofício de Notas do RJ, e nem isso poderia, só poderia haver um mero contrato de gaveta para quem conhece os trâmites legais, e desde então aluga o imóvel. 

Só em 2007 a CEDAE se deu conta que havia mais uma residência no prédio e incorporou a cobrança de água dele ao hidrômetro da vizinha, por estimativa. Porém a conta de água só chega em nome dela. A outra conta de água vinculada ao hidrômeto que abastece os outros três apartamentos do prédio está vinculada a um hidrômetro que usa o nome de umaCongregação de padres claretianos de SP. Achei muito estranho e contactei o padre responsável que me garantiu que a congregação religiosa nunca teve vínculo com o prédio e nunca teve sede no RJ. Na CEDAE não me passaram a informação de quem pois a conta de água no nome da congregação. Acredito que o prédio seja irregular. 

Sondei vizinhos antigos que me contaram que há muitos anos aqui era uma casa só e morava uma senhora sozinha que faleceu de câncer, mas ninguém soube me dar o nome dela. Não sei se após o falecimento dela o local ficou abandonado e invadiram e construíram apartamentos,pode ser até que haja herdeiros que nem saibam que tenham direitos sobre isso aqui. O que sei é que tudo é muito esquisito e ninguém faz nada. Avisei tudo a Corregedoria Geral de Justiça também.

Sei que muitos procedimentos investigativos e judiciais demoram, mas não entendo o porquê sequer após um ano e pouco nada, absolutamente nada aconteceu. É uma sensação de impotência horrorosa. Tive uma reunião com dois procuradores do MPF em dezembro de 2016, inclusive, pedi proteção pela situação com o espanhol, porém até hoje não me contactaram para dar um retorno, nem negativo e nem positivo. Então por isso resolvi ir direto na PF e não esperar mais

Sinto que estou muito exposta e lidando com um estrangeiro que pode ser muito perigoso, que nem se pode ter certeza exatamente de quem seja. Para piorar tudo, concomitantemente, o MPF abriu investigação contra a família do pai do meu filho por lavagem de dinheiro envolvendo as casas de câmbio deles (DG Câmbio), com várias filiais pelo RJ. Então, imagina a minha cabeça!? 

Estou péssima, me sinto cercada pelo mal e quem me conhece sabe que detesto coisas erradas; se tivesse dinheiro, sairia do Brasil e talvez até renunciasse a nacionalidade brasileira, pois não me orgulha ter nascido nesse país. Eu sinto vergonha de todas as injustiças e desigualdade sociais que sou obrigada a testemunhar diariamente. Quando há alguma justiça aqui, é tão demorada, que a vitória é amarga. E justiça tardia não é justiça

E imagina como é ver o caos na cidade do RJ pela crise financeira, colegas servidores sem receber salários, outros conhecidos desempregados e mesmo tendo bons currículos, e saber que esse espanhol e o irmão do pai do meu filho e sua mulher vivem muito bem porque não são pessoas idôneas. É podre! Me faz muito mal tudo isso. A diferença é que a família do pai do meu filho ostenta riqueza e o espanhol não, talvez por estar com uma documentação duvidosa para não levantar suspeitas. 

Não sei realmente o que esperar dos órgãos citados; na PF torço para o caso cair com a Interpol, pois há uma sede aqui no RJ e me parecem fazer um trabalho muito sério. Não parecem ser facilmente corruptíveis. Mas, quando protocolei o caso do espanhol na sede da PF no RJ, não sabiam pra onde iria a investigação, só avisaram que demora. E como controlar a ansiedade e a angústia? As coisas estão muito ruins para mim e estou me sentindo enlouquecer. E me sinto muito sozinha e desprotegida. É muita burocracia também pra piorar. 

Por isso, resolvi dar essa entrevista, para desabafar e aliviar esse sufocamento que sinto, esse aperto no peito. Como gostaria de viver num país digno e decente!Nunca esse desejo foi tão forte!

Por tudo que expliquei, financeiramente está ruim para todos e, para mim, não está diferente.Desde que a confusão se instaurou, não consegui sair do apartamento, então, o espanhol, como é abusado e não teme a justiça, acredita piamente que nunca será desmascarado e nunca virá à tona a situação real da ilegalidade do apartamentoresolveu me processar com um documento vencido desde 2014 e cuja foto do RNE dele nem parece ser ele, tentando retomar a posse do imóvel para continuar lucrando indevidamente e lesionando mais pessoas. 

Ele parece ser um psicopata. Ele até, na maior cara de pau, inventou uma taxa de condomínio no processo comum valor fixo que nunca existiu, como o prédio também tem uma situação mal explicada não há condomínio oficialmente instituído; então, o que prova essa cobrança específica dele?! Como esse cara é picareta! Irrita demais isso! Estou muito cansada, queria muito poder sumir hoje e nunca mais ver a cara desse sujeito.

Quem quiser saber a verdade, pode consultar o processo administrativo da subprefeitura do Méier nº 02/320.728/2007, que gerou a notificação nº 23/0159/2015 autorizando a demolição ou legalização do imóvel do espanhol, porém, até início de 2016 ninguém na prefeitura sabia da existência do espanhol. Fui eu que avisei a prefeitura sobre ele e foi autuado, oauto de infração dele é o nº 725686. 

A notificação foi publicada em resumo no Diário Oficial do Município do RJ

Agora, perguntas que não querem ser caladas na minha mente: como o espanhol comprou o imóvel nesse estado através de escritura pública e posteriormente conseguiu obter o RGI? O que embasou a confecção das escrituras, somente talão de IPTU? Porque antigamente expedia-se IPTU de qualquer jeito sem atestar a legalidade de um imóvel, visando somente a arrecadação de impostos? E isso facilitou várias fraudes. 

Hoje em dia, me parece que já não é mais assim, e que bom que não seja, pois olha o que tudo isso gerou no meu caso. E, antes de mim, teve várias outras vítimas inquilinas desse sujeito desonesto que poderiam ser surpreendidas do nada com autoridades públicas embargando o imóvel. Surreal tudo isso!

Ateu Poeta: 3:_Então, é um caso envolvendo uma falsidade ideológica (assumir identidade do tio), água ilegal, apartamento sem estrutura mínima para aluguel, por haver ordem de ser derrubado, uma possível coação à antiga dona, etc, Como pode não sido resolvido ainda em desde 2015? Como ficou o seu estado emocional com tudo isso, inclusive neste momento como está?

Palewa:Na verdade o espanhol não assumiu a identidade do tio, só acho o tio como imigrante legal no Brasil. A Polícia Civil que botou o morto como autor do fato no IP do furto de água e foi só aí que soube que havia esse homônimo. E com o nome deles só acho o falecido entrando no Brasil.

Os dados do documento que o Manolo usa, com filiação e data de nascimento diferente do tio falecido, não foi localizado o prontuário de entrada dele no Brasil. Não sei o que acontece, só sei que ao tentar provar que ele e o morto são pessoas diferentes, encontrei um outro estrangeiro chamado Manuel Romero, cuja foto é a cara do Manolo.

Já a foto o RNE que ele usa atualmente e está nos autos do processo que ele move contra mim, em nada parece com ele. Todos que viram não o reconheceram na foto. O que tem o nome Romero apareceu duas fichas consulares com numeração diferente, mas uma tem a data de nascimento adulterada. Mas a foto é muito a cara do Manolo, se não é ele, acho que ele tem um clone por aí... rs

Mando para você os documentos que provam o alegado acima; a foto preta e branca é a foto que está no documento usado pelo Manolo no dia a dia; as duas fichas consulares do tal Romero que citei, e a ficha consular do espanhol homônimo falecido. É tudo muito estranho, não há como se negar issoE sempre notei que o Manolo tinha muito medo de algo.

Meu estado emocional está péssimo, tenho várias crises de choro, pesadelos, ando muito estressada e angustiada. Até poque não é só o caso do espanhol e o processo dele injustamente em cima de mim, como também o caso das Casas de Cambio DG Cambio, do tio do meu filho por parte de pai e da esposa dele. Estão, sendo investigados por lavagem de dinheiro e isso tudo veio à tona ao mesmo tempo. Estou muito aflita e por estar emocionalmente instável, não consigo seguir a vida. Acho queenquanto pelo menos a questão do estrangeiro não se resolver, não voltarei a ter paz.

A água era furtada pelo simples fato que ele nunca conseguiria um hidrometro individual com a situação do apartamento irregular na Prefeitura, apesar de documentos cartoriais apontar tudo ok com o imóvel. Resta é saber se os cartórios envolvidos se corromperam ou foram ludibriados; mas uma coisa notei, a escritura que deu origem ao RGI se baseou no talão de IPTU.

O que a engenheira da prefeitura me disse é que imóvel é irregular e sem Habite-se, não possui matrícula e não existe juridicamenteO espanhol até poderia comprar o imóvel assim, mas mediante um contrato de gaveta que é algo informal.Agora por que uma pessoa de tantas posses, que possui tantos imóveis que vários no bairro me afirmaram isso, comprou um imóvel assim?

E por que ele se preocupou em legalizar a documentação de maneira incorreta, mas não fez de acordo com a lei pedindo licença na prefeitura para regularizar tudo? Ele já tinha a posse do apartamento mesmo, então só pode ser porque há vício na compra e venda, algo que ele tenta camuflar.

Não faz o menor sentido pensar de outra maneira o caso. Ele tem que ter o registro imobiliário cancelado e responder criminalmente junto com a mulher que participou junto com ele dessa trama. E por que nada acontece, denunciei tudo desde o primeiro semestre de 2016. E o lance da Prefeitura já rolava desde 2007, olha que absurdo! 

Mas só foi em 2015 que notificaram autorizando a demolição, notificação direcionada a tia da moradora do imóvel vizinho, pois para a Prefeitura, o imóvel do espanhol faz parte do imóvel vizinho, por não estar devidamente separado do mesmo (desmembrado). Não é uma loucura?! Aff! 




Ateu Poeta: 4:_O Brasil facilitar demais a entrada de estrangeiros facilita a vinda de muitos mal-intencionados? Será que o Brasil deveria estreitar laços com a Interpol para facilitar deportações de imigrantes ilegais, principalmente criminosos?

Palewa:O Brasil é literalmente o país "mãe" para estrangeiros mal-intencionados, a maioria deles não teria a maior chance de enriquecer no país deles, como conseguem aqui facilmente desenvolvendo atividades ilegais. O espanhol da qual fui vítima tem um comércio aqui e pode estar lavando dinheiro, sonegando impostos e sei mais o que... 

Um caso famoso que me recordo bem é o do italiano Pasquale Scotti. Inclusive o estilo de vida dele é muito parecido com o do espanhol que fui vítima: não ostenta riqueza, era um pacato comerciante e que não tinha muita vida social. Nem a mulher brasileira do Scotti sabia do seu passado sujo na Itália. Ele se escondia no Brasil fazia 30 anos e era condenado no seu país por vários homicídios, pois pertencera a máfia Camorra. Ele foi deportado e torço muito que se comprovando ilegalidades na imigração do espanhol Manolo, o mesmo aconteça com esse sujeito, pois não acrescenta em nada para nós ter pessoas desonestas estrangeiras aqui. Afinal, já temos brasileiros que não prestam o suficiente!

O Brasil tem vários escritórios no Brasil espalhados por diversos estados, inclusive um no RJ que gostaria que pegasse o meu caso. Acredito muito no trabalho deles porque desde 2010 têm apresentando muitos resultados satisfatórios, pois já conseguiram deportar muitos estrangeiros ilegais. Há um tal "alerta vermelho" onde vários países ficam cientes de criminosos procurados. 

O que sempre achei absurdo foi a nossa Lei de Estrangeiros favorecer o imigrante que se naturaliza brasileiro e se casa com brasileira e tem filhos, mesmo que o cara esteja todo errado é difícil deportar. Só facilita se o país de origem tiver procurado o mesmo por questões judiciais. 

E o que mais me afeta é ver gente errada se dando bem aqui, principalmente financeiramente, ainda mais se for estrangeiro. Há tanta desigualdade e injustiça social no país, tanta corrupção, e ainda temos que suportar enriquecimento ilícito de gringos? 

Muitos brasileiros honestos sobrevivem com dificuldade, até mesmo ter uma faculdade e mais estudo não garante nada. Vejo muitas vagas de emprego só fazendo mil e uma exigências, até mesmo faculdade, e oferecendo um salário mixuruca em troca. Dá um aperto no peito; nem os nossos servidores públicos estão garantidos mais, vide os salários atrasados e parcelados em vários estados que decretaram falência de seus cofres. Milhares de pessoas pagam diariamente nesse país desigual por causa da corrupção, dos desvios de verbas públicas, e quem mais paga o pato é quem menos merece. 

Eu não tenho mais esperança no Brasil. Sinto uma imensa vergonha e gostaria muito de ir embora daqui. E vejo que a maioria aqui não se importam realmente em promover mudanças, as manifestações nunca duram e tudo segue como sempre, sendo empurrado com a barriga. 

Por isso, estou sendo vítima desse homem e tenho tanta dificuldade em obter ajuda, mesmo tendo provas e estando lutando por justiça. Quando fazemos isso, somos vistos como loucos. O certo é o errado, é ser omisso e engolir a seco todo o mal que nos fazem gratuitamente. Se você se defende, logo vem um dizer que você quer "consertar o mundo", ou que deve deixar "nas mãos de Deus" e por aí vai. E o mal vence porque os bons nada fazem. Ainda tem o fato que muitas pessoas boas não têm coragem de reagir quando atacadas, são as denominadas "ovelhas."Realmente é muito difícil e desgastante viver no Brasil.

Ateu Poeta: 5:_Por fim, por falar em Deus, além da tentativa de agressão física nesta terça-feita [14/03/2017], você também sofreu agressão verbal, inclusive, por ser ateia, não é verdade? Relate isso e faça suas últimas considerações, para fecharmos esta entrevista.


Palewa:_O espanhol sempre foi abusado e se fez de vítima, ele inverte tudo com muita facilidade. Então, sempre houve agressões verbais, principalmente se referindo a mim como "vagabunda" e alegando que tenho dívidas financeiras com ele, para ver o descaramento da pessoa! 

Nunca enfrentei alguém tão insensato assim, que paga para ver mesmo notando que não vou recuar. Em relação a religião, quem me agride sempre com essa conotação é a mulher dele que se diz evangélica. Ela sabe que sou ateia e fica me chamando de "filha de Satã", pedindo a Deus para os livrar do meu mal, para eu os esquecer e deixá-los em paz. E ela algumas vezes me abordava na rua e falava comigo como se tivesse me rezando ou exorcizando, era uma situação muito constrangedora e insana.E eu nunca citei nada religioso ou anti-religioso, até porque minha fase de revolta ateísta já passou (rs); antigamente até era militante, me prestava a discutir sobre isso, hoje já levo tudo com mais natureza e leveza, ao contrário dessa mulher que parece uma fanática. E é hipocrisia, afinal prova contra o homem dela tenho de sobra para que o casal pose de vítima. 

O fato é que ele sempre aprontou com os outros, mas nunca pagou por nada. Nunca encarou alguém como eu que costumo lutar pelos meus direitos, mesmo sabendo a dor de cabeça que dá fazer o que é certo e clamar por justiça num país que nunca se sabe o que esperar do nosso Poder Judiciário. Só espero que a verdade e o bem prevaleça. Sempre incentivei as pessoas lutarem por seus sonhos e direitos e, no momento, eu que estou com a vida estagnada porque caí nas armadilhas de uma pessoa ruim. Hoje em dia me sinto perdida, temerosa pelo futuro e sem saber o que esperar realmente dessa história absurda. 

Agradeço pela oportunidade de desabafar, até porque acho relevante as pessoas tomarem ciência de como é comum estrangeiros fazendo bagunça no nosso país; nem eu sabia que era tão "normal" assim. E nunca se sabe se de repente alguém não conhece ele e possa dar mais informações, ou até mesmo apareça outras vítimas. 

Eu diariamente tento me fortalecer e pensar positivo, mas confesso que está sendo uma tarefa árdua. Nosso país está em crise financeira, a corrupção e o descaso parece ter tomado conta de tudo, e cada vez fica mais difícil se defender, sobreviver e lutar para que o que é justo prevaleça. 

Eu só peço apoio das pessoas corretas, que torçam por mim e que compartilhem essa entrevista que adorei dar, que divulguem ao máximo para que não haja chance do mal vencer. É um alívio poder contar para todo mundo o que tanto vem me sufocando a meses.


E-mail da Palewa: palewatayssa@yahoo.com.br

Ateu Poeta 
Historiador, Presidente do Jornal Delfos
Entrevista via Facebook e e-mail
14/03/2017
(Rio_Ceará)

Anexos
Caso Pasquale Scotti: 

Caso citados no site "Ordem e liberdade": http://ordemeliberdadebrasil.blogspot.com.br/2011/04/brasil-um-porto-para-bandidos.html

"BRASIL, UM PORTO PARA BANDIDOS ESTRANGEIROS

BRAÇO DA INTERPOL. Brasil bate seu recorde de estrangeiros capturados. Em 2010, 65 procurados pela polícia internacional foram localizados e presos pela Polícia Federal - ZERO HORA 04/04/2011

O Brasil atingiu, em 2010, seu recorde nas detenções de procurados pela Interpol (polícia internacional, que tem 188 países-membros). Houve a localização de 65 criminosos procurados no mundo inteiro. O acordo entre o Brasil e a Interpol vigora desde 1962 – em 49 anos, portanto, nunca criminosos escondidos no Brasil foral localizados com tanta frequência pela Polícia Federal (PF).

O delegado federal Luiz Eduardo Pereira, responsável pelo setor na PF, considera o aumento no número de prisões um reflexo da maior qualidade nas buscas. Pereira descarta a possibilidade de haver mais suspeitos no Brasil, o que levaria, naturalmente, a mais prisões – muitos dos presos estavam morando fazia anos no país. Até por isso, o delegado assegura que o que ocorre é, efetivamente, mais eficiência, que ele atribui à sintonia entre diferentes órgãos:

– O aumento do número de presos no Brasil se deve principalmente à mudança na forma de trabalho das instituições voltadas à persecução criminal internacional. A parceria mais estreita entre os órgãos envolvidos (polícias, Ministério da Justiça, Ministério das Relações Exteriores e Supremo Tribunal Federal) nos deu maior agilidade e rapidez para obter os mandados de prisão para fins de extradição.

Na comparação com 2009, o número de presos em 2010 é quase o dobro: haviam sido apenas 34 no ano passado.

Em 2011, por exemplo, já foi presa gente como o italiano Francesco Salzano, acusado de chefiar um dos ramos da Camorra, a máfia napolitana. Salzano foi localizado e detido em 11 de fevereiro, em Fortaleza. Depois, teve a prisão decretada pela Justiça de Nápoles por envolvimento em assassinatos de três pessoas, todos prováveis acerto de contas entre mafiosos. Em janeiro, um sérvio condenado pela prática de latrocínio (roubo seguido de morte) foi detido em Santos – ele vivia com a mulher e a filha usando um nome falso, trabalhou em vários locais e até comprou um restaurante em seu nome.

Outro criminoso que integrou o topo da lista da Interpol e foi localizado no Brasil é o megatraficante colombiano Juan Carlos Abadía, acusado de tráfico de drogas e mais de 300 homicídios. Sua prisão ocorreu em 2007, em São Paulo. Depois, em uma busca, a PF localizou e apreendeu R$ 3 milhões de Abadía, em espécie, na sua casa de Florianópolis.

Como funciona - A Interpol emite os seguintes alertas, para os 188 países-membros:

- O alerta no Canal Difusão Vermelha comunica sobre um suspeito procurado mundo afora.

- O alerta no Canal Difusão Amarela serve para informar e localizar pessoas desaparecidas.

- O alerta no Canal Difusão Negra tem como objetivo a identificação decadáveres.

* São colocados, no canal, de acesso imediato aos países, nome, impressão digital e outros dados do procurado. O alerta chega à PF no sistema de internet chamado I 24-7 (Internacional, 24 horas e sete dias semanais), controlado pela secretaria da Interpol."

quinta-feira, 9 de março de 2017

EDUCAÇÃO INCLUSIVA

EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Resumo do texto “FAMÍLIA E ESCOLA: como essa parceria pode favorecer crianças com necessidades educativas especiais” de Cláudia Paranhos de Jean Portela & Célia Verônica Paranhos de Jesus Almeida.

Trabalho apresentado na pós-graduação em Gestão Escolar da Faculdade Kurius em 2016

Por: Aroldo Filho (Historiador, Pós-Graduado em Gestão Escolar, criador do Arquivo Público de Pacoti, da Associação SEMPRE e do Jornal Delfos-CE)

(Prof. avaliador: Dr. Dalton Walbruni)

A escola e a família ocupam um lugar imprescindível na formação da personalidade da criança, embora possuam características diferentes, mas são indissociáveis. 

A teoria sócio-histórico-cultural de Vygotsky serve de parâmetro para estudo de como a proximidade da escola com a família pode influenciar no processo de aprendizagem da criança com necessidades especiais.

A família é uma instituição socializadora, com relações afetivas e características próprias dentro de uma cultura com uma posição socioeconômica definida e tendo uma herança cultural que geram premissas para o desenvolvimento da personalidade do indivíduo e servindo inclusive de mediadora o indivíduo e a sociedade na qual se encontra.

Segundo Vygotsky, o indivíduo precisa de maturação orgânica e interações sociais para se entender como ser. O patrimônio cultural é, para a teoria sócio-histórico-cultural, um conjunto de valores e conhecimentos da humanidade que para ser alcançado precisa de uma mediação, principalmente por parte dos mais experientes, gerando conhecimento compartilhado que por sua vez gerará o conhecimento pessoal, a posteriori, quando o sujeito passa a se apropriar da cultura.

O aprendizado acontece como internalização, do interpsicológico (interação social) para o intrapsicológico ( dentro da cabeça do indivíduo, interagindo consigo mesmo) em processo de análise em que o sujeito passa a criar significados para as suas próprias ações a partir de instrumentos sociais a que ele tem acesso a serem compreendidos por meio de códigos compartilhados.

Vygotysky diferencia o desenvolvimento real do proximal ou potencial, o primeiro consiste em um conhecimento que ou habilidade que o sujeito já alcançou e o segundo o que ele poderá alcançar se tiver ajuda de alguém mais habilidoso ou mais sábio.

“[ As funções psicológicas que fazem parte do nível de desenvolvimento real da criança em determinado momento de sua vida são aquelas já bem estabelecidas naquele momento. São resultados de processos de desenvolvimentos já completados, já consolidados” ( Oliveira, 1998 , p. 59).

Quando a criança já consegue realizar uma tarefa nova com a orientação de uma pessoa mais experiente, chamamos o desenvolvimento proximal de zona de desenvolvimento proximal (ZDP).

“la distancia entre el nivel de desarrollo actual, según determinado por la solución independente de problemas y el nivel de desarrollo potencial, según determinado por médio de la solución de problemas bajo la orientación de um adulto o em colaboración com pares más.” (Vygotsky, 1978 apud Rodriguez, 1997, p. 56). 
Vygotsky está sempre voltada para o que virá futuramente em vez de focar apenas no presente, uma vez que a zona de desenvolvimento proximal definem as funções que estão em maturação.

A personalidade da criança será formada por um conjunto de influências, principalmente dos adultos onde a criança se apropria do patrimônio cultural acumulado da sociedade através de um processo de socialização e educação.

Vygotsky é otimista em relação às deficiências, e nos diz que tanto as crianças ditas “normais” quando as deficientes são envolvidas socioculturalmente da mesma maneira perante a formação da personalidade.

“La peculialidad positiva del niño com deficiências también se origina, en primer lugar, no porque en él desaparece unas o otras funciones observadas en um niño normal, sino porque esta desaparición de las funciones hace que surjan nuevas formaciones que representan, en um unidad, uma reacción de la personalidade ante la deficiência,la compensación em el processo de desarrollo.” (Vygotsky, 1989, p. 7).

Vygotsky considera a deficiência ao mesmo tempo como um fator de influência contraditória, visto que no sentido físico é uma limitação que prejudica a atividade orgânica, mas que serve de estímulo para desenvolver outras funções como para compensar o defeito que se têm.

“[...] si un niño ciego o sordo en el desarrollo lo mismo queun niño normal, entonces los niños con deficiencia lo alcanzan de un modo diferente, por outra via, con otros médios y para el pedagogo es muy importante conocer la peculiaridade de la via por cual él debe conducir al niño.” (idem)

Essa compensação seria uma busca pelo equilíbrio das funções psíquicas. Para Vygotsky, o educador além de enfrentar o problema das deficiências incluindo as suas consequências sociais. 

A família transmite ao indivíduo a herança cultural da própria família e da sociedade, sendo portanto um grupo primário onde o sujeito aprende papéis sociais para a construção de uma identidade social e pessoal e só depois com uma socialização secundária é que o sujeito fará ajustes à sua adaptação, sendo assim, a família tem, para Vygotsky, um lugar privilegiado; portanto, não se pode compreender as crianças com necessidades educativas especiais em sua totalidade sem o contexto familiar na qual está inserida, especialmente as crianças socioafetivamente mais retraídas.

Segundo dados do Saeb (1999), as crianças cujo os pais participam ativamente na sua educação o rendimento escolar obtém progressos maiores e quando os pais trocam informações com professores e diretores essas crianças aprendem mais e melhor.

A escola “[...] pela função que a sociedade lhe concede, pelos recursos que possui, pela preparação científica de seu pessoal, entre outros, está em condições de exercer uma influência muito poderosa, porém necessita de uma relação estreita com a família para que seja mais efetiva.” (Perrea, 1997, p. 10). 

Família e escola, portanto, devem trabalhar de mãos dadas, principalmente no caso de crianças com necessidades educativas especiais. A ação educativa sistematizada não deve negligenciar as necessidades sociais, econômicas e culturais e problemas concretos do educando, mas deve focar no princípio de que o estudante é um sujeito com realidade material e simbólica.

Para Santos (1999, p. 40), a família é “o primeiro berço educacional do ser humano”. A família tem obrigações sociais preestabelecidas e pode e deve se perceber como agente ativo do processo educacional do estudante, como elemento educacional estratégico que não substitui a escola, mas a complementa.

“Os Ministérios da Educação e as escolas não devem ser os únicos a perseguir o objetivo de dispensar o ensino a crianças com necessidades educacionais especiais. Isso exige também a cooperação das famílias e a mobilização da comunidade [...]” (Declaração de Salamanca, 1994, artigo 58)

“As autoridades responsáveis pela educação aos níveis nacional, estadual e municipal têm a obrigação prioritária de proporcionar educação básica para todos. Não se pode, todavia, esperar que elas supram a totalidade dos requisitos humanos, financeiros e organizacionais necessários a esta tarefa. Novas e crescente articulações e alianças serão necessárias em todos os níveis [...]. É particularmente importante reconhecer o papel vital dos educadores e das famílias [...] Quando nos referimos a um enfoque abrangente e a um compromisso renovado, incluímos as alianças como parte fundamental.” (idem)

É preciso firmar compromisso com reciprocidade entre escola e a família e seus papéis devem ser aproximados e mais igualados em responsabilidade, principalmente no que tange à zona de desenvolvimento proximal.

“Deverão ser estreitadas as relações de cooperação e de apoio entre administradores das escolas, professores e pais, fazendo com que estes últimos participem na tomada de decisões em atividades educativas no lar e na escola [...] e na supervisão e no apoio da aprendizagem dos filhos.” (idem, artigo 61)

Para Santos (1999, p. 43), “as famílias precisam se aproximar da escola não apenas comparecendo a reuniões de pais ou participando de conselhos escola-comunidade através de representantes, mas é preciso que ela se inteire mais diretamente no processo educacional acadêmico dos seus filhos, ajudando-os a aprender [...]”

A escola precisa abrir as portas às famílias, mas sem assumir uma relação de hierarquia onde ele fosse um juiz cobrador e sim ajudando estas a se informar para crescer numa relação mais harmônica com a escola.

O MEC (Ministério da Educação e Cultura) lançou uma campanha de mobilização nacional a fim de mobilizar e conscientizar a sociedade para o valor da interação entre pais e escola. 

Uma pesquisa do IBGE em dezembro de 2000, com duas mil pessoas em todo o país revelou que os pais são conscientes da necessidade de interação com a escola.

É preciso acordar para essa realidade para que a educação realmente melhore no país. Mas, a realidade é que a escola se põe sim em um pedestal de superioridade e de cobrança em vez de buscar uma parceria harmônica, em parte porque também já é cobrada pelo sistema para gerar resultados e para ela é empurrado todo tipo de projeto, pelas Secretarias de Educação Municipais e pelos CREDEs, goela à baixo. 

Acima de tudo a escola em si também precisa de um maior amparo e o professor precisa de uma formação continuada além de assessoria de um profissional gabaritado nas deficiências, o que geralmente não se vê. 

Além do profissional da educação planejas as aulas ainda tem que imaginar maneiras novas de ensinar a estudantes com necessidades especiais que muitas vezes lhes são passadas informações quebradas; muitas vezes falam apenas “aluno tal tem laudo” sem explicar que laudo é esse.

Um problema maior ainda é o preconceito por parte dos próprios gestores das escolas que dizem que a lei impede de dar nota inferior à média e com isso proíbem professores de dar notas também acima da média, o que se vê claramente numa atitude completamente ilegal porque o estudante com deficiência não está inapto a evoluir e se evolui é justo que sua nota também suba, assim como subiria para uma criança dita “normal”.

Essa realidade, por exemplo, acontece na Escola Linha da Serra, de Guaramiranga-CE.

É preciso lembrar sempre dessa zona de desenvolvimento proximal, sabendo que você pode criar novos modos de fazer a criança aprender, mesmo a deficiente. Acontece muito também de os professores em vez de criar novos modos de ensinar simplesmente deixar os deficientes à parte sem nenhuma atividade ou uma atividade muitíssimo simples que nada tenha a ver com a disciplina abordada em sala de aula, sendo que muitas vezes a criança com deficiência é capaz de mais do que demonstra, mas como é acomodada pela maioria dos professores a não fazer nada passa a se acomodar e mesmo a se recusar a fazer qualquer atividade.

O professor que quer fazer a diferença, portanto, vai ter trabalho e deve ser humilde o suficiente para pedir ajuda dos demais educandos, sendo que está ajudando a estes também a compreenderem que estando em sociedade também de certa forma é dever de cada um ajudar uns aos outros, e isso deve ajudar inclusive na melhor socialização dentro da própria sala, o que se repetirá com certeza fora dela, com maior ou menor ênfase.

O problema não está em ter ou não o educando uma deficiência, ou vários com vários transtornos diferentes, mas à escola procurar entender, aos gestores em não ter preconceito, principalmente em se tratando de diretores e por ser espaço educacional, onde deveriam dar o exemplo, ser claros com os professores, mostrando inclusive cópia dos laudos para que o educador possa pesquisar a respeito e ao próprio educador cabe não se deixar acomodar e inventar.

Acima de tudo, inventar é preciso, sem inventar novos métodos, não necessariamente ficando refém da tecnologia, como a maioria segue a favor da corrente, mas até mesmo na linguagem, modo de abordar os temas, tentar despertar, encantar, aproximar-se, seguindo a linha de raciocínio de Vygotsky e alguns que com certeza se espelharam nele como Luckesi e Paulo Freire.